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Eficiência Comprovada

RESULTADOS DE STRATIOMIP NO CONTROLE DE FUNGUS GNATS EM COGUMELOS SHIITAKE

O cogumelo shiitake, Lentinula edodes, é a segunda espécie mais cultivada no Brasil, atrás apenas do champignon (Agaricus bisporus). Segundo a ANPC (Associação Nacional dos Produtores de Cogumelos) o Brasil produz em média 1.500 toneladas de shiitake por ano. Antes produzido em toras de eucalipto, atualmente a grande maioria dos produtores utilizam blocos de substrato a base de serragem para o cultivo desse cogumelo.

A principal praga em todas as espécies de cogumelos cultivadas é um Diptera da família Sciaridae conhecido popularmente como fungus gnats. Os adultos são pequenas moscas de coloração preta e as larvas tem o corpo transparente com a cabeça preta. As larvas se alimentam do micélio prejudicando a frutificação dos cogumelos e os adultos, apesar de não se alimentarem, são os principais vetores de microrganismos competidores nos cultivos de cogumelo, como por exemplo o fungo Trichodermma spp.

Larva (esquerda) e adulto (direita) de fungus gnats sobre substrato de Shiitake.

No Brasil, o único produto registrado pelo Ministério da Agricultura para utilização no cultivo de cogumelos é o ácaro predador STRATIOMIP, produzido e comercializado pela Promip e autorizado para o uso na agricultura orgânica. Esses ácaros se alimentam de ovos e larvas de fungus gnats e, dessa forma, são aliados no controle biológico dessas pragas em cogumelos.

Para comprovar a eficiência do STRATIOMIP em cogumelos shiitake produzidos em blocos em substrato, foi realizado um estudo na empresa Villa Barrichello, localizada em Mogi Mirim e especializada na produção de alimentos orgânicos. A empresa também produz os blocos de substratos de substrato para comercialização. O teste foi realizado em uma câmara climatizada, que acomoda aproximadamente um total de 3.000 blocos de shiitake, sendo adicionados 500 blocos por semana.

No início do acompanhamento, a população de fungus gnats monitorada por armadilhas amarelas estava bastante alta com uma média de 2.000 moscas capturadas por armadilha por semana, população essa que gerava descarte na produção, além do tempo gasto com mão de obra para a seleção de cogumelos livres de galerias ocasionadas pelas larvas das moscas. O controle biológico de pragas deve ser preferencialmente iniciado antes que as pragas atinjam o nível de controle, dessa forma uma alternativa adotada para abaixar o nível populacional da praga na câmara de produção foi o descarte total dos blocos e limpeza geral das instalações com água e sabão, lembrando que se por se tratar de um cultivo orgânico, o uso de inseticidas não é autorizado em nenhuma das etapas do cultivo.

Após a limpeza das câmaras novos blocos foram adicionados semanalmente e no mesmo instante em que os mesmos iam sendo posicionados nas prateleiras foram também colocados embaixo de cada um deles um sachê contendo 100 ácaros predadores STRATIOMIP, realizando dessa forma o controle preventivo da praga. Durante seis semanas, até que a câmara atingisse o número total de blocos, foram realizados acompanhamentos semanais da infestação de fungus gnats através de armadilhas amarelas distribuídas na câmara de cultivo.

Liberação de ácaros predadores (STRATIOMIP) em blocos de produção de Shiitake.

Armadilhas para monitoramento e captura de fungus gnats na produção de shiitake.

A média de moscas capturadas durante o período de avaliação foi de 40 moscas por armadilha por semana, inclusive com uma redução na quinta semana (média de 31 moscas por armadilha), o que demonstra que a liberação preventiva de STRATIOMIP conseguiu manter a população da mosca em níveis baixos mesmo com o aumento no número de blocos de substrato (Gráfico).

Número de moscas por armadilha por semana em relação ao número de blocos de substrato de shiitake em câmara de cultivo.

Além da baixa população da mosca, os cogumelos colhidos apresentaram um ótimo padrão de qualidade, sem galerias, diminuindo a mão de obra com a seleção de cogumelos atacados e não atacados. Também foi possível observar com facilidade a presença de predadores nos blocos de substrato o que demonstra que o ambiente de produção de cogumelos é favorável a esses predadores (Figura 5). É importante salientar que uma outra estratégia de manejo adotada pelo produtor foi a utilização de telas antiafídicas (citrus anti-vírus) nos exaustores para evitar a entrada de fungus gnats provenientes do ambiente externo. Os resultados obtidos demonstram que é possível manter uma produção de shiitake sem a utilização de qualquer defensivo, utilizando o controle biológico com ácaros predadores STRATIOMIP dentro dos preceitos do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Àcaro predador (STRATIOMIP) em bloco de shiitake.

Dra. Grazielle Furtado Moreira

Promip – Manejo Integrado de Pragas

Macromip Max na Cultura da Rosa – Eficácia comprovada em baixa, média e alta infestação do ácaro rajado.

O ácaro rajado, Tetranychus urticiae é uma praga importante durante todas as etapas de produção de rosas – da muda a colheita. Além dos danos nas folhas provocados por sua alimentação que reduz a capacidade da planta em realizar a fotossíntese, em grandes infestações são facilmente encontrados nos botões, depreciando de forma direta o produto final. O ácaro rajado apresenta coloração opaca esverdeada, com duas manchas escuras na face dorsal. Em altas populações e/ou durante as horas mais quentes do dia são facilmente visíveis na parte superior da folha, tecendo uma grande quantidade de teia, que é facilmente visível.

O ácaro rajado se multiplica rapidamente em roseiras, sendo favorecidos pelo clima quente e seco. Dessa forma, o controle biológico dessa praga deve ser iniciado logo no início da infestação, de preferência antes que a densidade populacional da praga não atinja o número de 5 ácaros rajado por folíolo. Infelizmente, muitas vezes o produtor só percebe a presença da praga quando há formação da teia, o que indica que a densidade populacional da praga já é bastante alta. Uma boa forma de monitorar a início da infestação é fazer amostragens das folhas semanalmente.

Um acompanhamento da liberação de predadores para o controle de ácaro rajado foi realizado em uma plantação de rosa spray, do produtor Wanderley Dias, no município de Holambra (SP) entre novembro e dezembro de 2015. Um total de 350 m² divididos em 6 vãos, três destes já enxertados e outros três ainda não enxertados (cavalo). Um dos motivos do atraso da enxertia em três vãos foi a alta infestação com ácaro rajado no cavalo.

O monitoramento prévio mostrou uma baixa infestação por ácaro rajado nos vãos já enxertados e em um vão ainda no cavalo, com uma média de 22 ácaros por folíolo. Nesses vãos foram liberados Macromip Max, na densidade de 20 predadores/m². Quatro semanas após a liberação a média de ácaros rajados caiu para cinco por folíolo e foram encontrados uma média de dois predadores por folíolo.

Um outro vão apresentou uma infestação média de 80 ácaros por folíolo. Nesse cenário foram liberados 150 predadores/m² (Macromip Max). Após quatro semanas o número médio de ácaro rajado por folíolo caiu para 16 enquanto foram encontrados uma média de 7,5 predadores por folíolo.

Um dos vãos apresentou alta infestação com uma média de 240 ácaros por folíolo, com folhas amareladas e com bastante teia. Nessa situação foram feitas duas liberações de MACROMIP MAX, na primeira semana uma densidade de 150 predadores/m² e na segunda semana uma densidade de 60 predadores/m². Após quatro semanas a média de ácaros praga por folíolo caiu para aproximadamente 16, com uma média de quatro predadores por folíolo.

Em todos os vãos foram feitas duas lavagens com água em abundância nas duas primeiras semanas, esse manejo desfavorece a praga (que prefere ambientes secos), inclusive diminuindo a quantidade de teias que são utilizadas principalmente para a dispersão da praga e, por outro lado, favorece os ácaros predadores que preferem ambientes úmidos e assim se reproduzem em maior quantidade. Um efeito nítido desse manejo foi a redução da quantidade de teia no vão que apresentava alta infestação, o que facilitou a ação dos predadores. Essas lavagens foram feitas sempre no período da manhã, em dias ensolarados para que as plantas secassem até o período da tarde.

A liberação dos predadores em conjunto com o manejo adotado pelo produtor permitiu que em apenas quatro semanas a infestação de ácaro rajado na área caísse para níveis aceitáveis, nos quais foi possível dar continuidade no processo de enxertia e garantir hastes produtivas livres do ácaro rajado.

Dra. Grazielle Furtado Moreira

Promip – Manejo Integrado de Pragas

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