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Você está em: Da Pesquisa à Inovação

 
 
 
Dra. Marina Ferraz de Camargo Barbosa
Pesquisadora na área de biológicos da Promip
 
 
2017-06-12
Porque Devemos Priorizar o Emprego de Agentes Biológicos Endêmicos em Programas de Manejo Integrado de Pragas
 
 


Ácaro Raoiella indica uma ameaça iminente à produção de Bananas e Coqueiros no Brasil. Foto (Crédito): Dra. Denise Návia (Embrapa/Cenargen)

No passado, a oferta de inimigos naturais teve um grande aumento com o advento dos programas de controle biológico clássico. Nesta modalidade de controle biológico, a busca por inimigos naturais deve ser realizada no local de origem da planta e/ou da praga-alvo, seguida pela introdução do agente biológico no país de interesse. Assim, desde o início da popularização do controle biológico, grande parte dos inimigos naturais utilizados eram exóticos, ou seja, foram introduzidos a partir de regiões geográficas distintas. Porém, nos últimos anos o debate sobre a necessidade real da introdução de espécies exóticas e o seu impacto na fauna e flora local tem aumentado.

Neste cenário, é importante considerar que existem vários riscos decorrentes de uma introdução mal planejada. Como muitos predadores são generalistas, ou seja, podem alimentar-se de diferentes presas, há a possibilidade de causarem impacto sobre espécies não alvo, afetando a sobrevivência e reprodução, inclusive dos organismos benéficos endêmicos (ou seja, próprios de cada local). Sabe-se que muitos predadores podem, inclusive, consumir formas imaturas de outras espécies de predadores, alcançando altas populações pela redução no número de competidores. Além disso, diferentes populações de uma mesma espécie podem variar quanto à capacidade reprodutiva, voracidade e patógenos que carregam, fatores que podem afetar a fauna local, exigindo parcimônia na introdução de populações oriundas de diferentes localidades. Introduções precipitadas podem prejudicar o conhecimento científico, já que muitas espécies são coletadas e descritas, sem que sejam feitos esforços para compreender sua biologia e potencial aplicação prática.

Para mitigar esses riscos, diversos países têm adotado regras mais rígidas durante o processo de avalição de potenciais espécies candidatas de predadores ou parasitoides exóticos em seu território. Como consequência inúmeras importações têm sido barradas. Inicialmente, em alguns países, essa análise mais rígida e criteriosa, foi apontada como uma das causas para significativa diminuição na utilização do controle biológico, observado nos anos 2000, após anos de aumento contínuo. Porém, logo após esta queda, a comercialização de inimigos naturais voltou a aumentar, mas desta vez com um quadro totalmente diferente. Forçadas pela fiscalização mais rígida, as empresas de controle biológico passaram a buscar organismos biológicos nativos em cada região, fazendo com que, atualmente a quantidade de inimigos naturais endêmicos disponíveis para comercialização, seja mais que o dobro dos exóticos.

Alguns dos benefícios do emprego de espécies endêmicas em programas de controle biológico aplicado são: (1) espécies nativas geralmente encontram-se em equilíbrio na teia alimentar, possuindo inimigos naturais capazes de controlá-los caso cheguem à áreas naturais; (2) com maiores dificuldades para introdução de espécies exóticas, os pesquisadores reduziram a frequência das caras buscas por predadores pelo mundo e passaram a olhar para seus próprios quintais e ver, ali, uma fonte preciosa; (3) o estímulo pela busca de inimigos naturais endêmicos pode favorecer o conhecimento sobre a fauna local, além de estimular pesquisadores a aprofundarem os estudos sobre as espécies que coletam.

Obviamente, o objetivo não é, e nem pode ser, criar um muro intransponível que proíba o intercâmbio de espécies benéficas entre os países. Porém, regras rígidas devem continuar sendo aplicadas e revisadas para cada localidade, exigindo que o pesquisador e/ou empresa interessado em introduzir determinada espécie comprove a necessidade e inocuidade daquela introdução. Além disso, o serviço quarentenário de cada localidade deve ser respeitado e utilizado com abundância e não menosprezado como muitas vezes ocorre hoje.

Por fim, antes de cada introdução, a comunidade cientifica local deve ser acionada e a possibilidade de se iniciar uma busca por inimigos naturais locais, deve ser sempre considerada. A integração entre pesquisadores, empresas e comunidade local tende a gerar bons frutos e muitos beneficiados: os produtores que terão um agente de controle para as pragas que os atormentam; as empresas de controle biológico que terão produtos únicos para comercialização; a fauna local que está sendo preservada; a economia que será fomentada pela contratação de profissionais locais durante os períodos de pesquisa e produção e, por fim, a ciência, por todo o conhecimento produzido ao longo do caminho! No Brasil as regras para a introdução de agentes benéficos exóticos são seguidas à risca pelas instituições públicas e privadas envolvidas com o processo, dando-se sempre a preferência pelo registro e emprego de agentes biológicos nativos.

Como ficam os ácaros neste cenário? Ao contrário da Europa, América do Norte e África, a América do Sul sempre priorizou a utilização de espécies benéficas próprias da região. As três espécies de ácaros predadores aqui comercializadas em larga escala, Phytoseiulus macropilis, Neoseiulus californicus (ambas para o controle do ácaro rajado) e Stratiolaelaps scimitus (para o controle de pragas edáficas) são endêmicas e diferem daquelas comercializadas para os mesmos fins nos demais continentes (exceto N. californicus).

Um exemplo da preocupação que existe no Brasil em se priorizar espécies endêmicas, são os diversos esforços realizados para encontrar aqui predadores de ácaros fitófagos recém introduzidos ou ainda sem um método de controle efetivo. Um destes esforços está sendo realizado pelo MSc. Geovanny Barroso, que durante seu trabalho de doutorado na ESALQ/USP está buscando, no estado de São Paulo, inimigos naturais do ácaro fitófago Raoiella indica, uma importante praga de palmeiras. Apesar de ter sido registrada no Brasil há apenas alguns anos, esta praga já causa sérios danos. Este pesquisador reafirma vantagens de se buscar ácaros predadores nativos; “nosso país tem uma grande diversidade de inimigos naturais e isso se torna a principal vantagem... Além disso, inimigos naturais nativos já estão mais adaptados às condições ambientais do local, existindo uma grande chance de se encontrar uma população de um predador que seja capaz de reduzir a praga a níveis não econômicos”.

Outros exemplos de busca por ácaros predadores estão ocorrendo em todo o país, nos diversos centros de pesquisa em acarologia existentes no Brasil e todo este esforço é compensador. Afinal, além da vantagem natural, devido à nossa abundante biodiversidade, nosso país é rico em pesquisadores com muita motivação e vontade de buscar por novas soluções para o controle de pragas, contribuindo com a ciência e com uma sociedade melhor. Ressalta-se que também existem regras para a bioprospecção e uso de espécies endêmicas com potencial de uso para o controle biológico, as quais também devem ser observadas e seguidas à risca pelos pesquisadores e interessados em seu uso prático.

 

Para saber mais:

VAN Lenteren, J. C. The state of commercial augmentative biological control: plenty of natural enemies, but a frustrating lack of uptake. BioControl, v. 57, p. 1-20, 2012.

 
 
 
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Porque Devemos Priorizar o Emprego de Agentes Biológicos Endêmicos em Programas de Manejo Integrado de Pragas
2017-06-12


Ácaro Raoiella indica uma ameaça iminente à produção de Bananas e Coqueiros no Brasil. Foto (Crédito): Dra. Denise Návia (Embrapa/Cenargen)

No passado, a oferta de inimigos naturais teve um grande aumento com o advento dos programas de controle biológico clássico. Nesta modalidade de controle biológico, a busca por inimigos naturais deve ser realizada no local de origem da planta e/ou da praga-alvo, seguida pela introdução do agente biológico no país de interesse. Assim, desde o início da popularização do controle biológico, grande parte dos inimigos naturais utilizados eram exóticos, ou seja, foram introduzidos a partir de regiões geográficas distintas. Porém, nos últimos anos o debate sobre a necessidade real da introdução de espécies exóticas e o seu impacto na fauna e flora local tem aumentado.

Neste cenário, é importante considerar que existem vários riscos decorrentes de uma introdução mal planejada. Como muitos predadores são generalistas, ou seja, podem alimentar-se de diferentes presas, há a possibilidade de causarem impacto sobre espécies não alvo, afetando a sobrevivência e reprodução, inclusive dos organismos benéficos endêmicos (ou seja, próprios de cada local). Sabe-se que muitos predadores podem, inclusive, consumir formas imaturas de outras espécies de predadores, alcançando altas populações pela redução no número de competidores. Além disso, diferentes populações de uma mesma espécie podem variar quanto à capacidade reprodutiva, voracidade e patógenos que carregam, fatores que podem afetar a fauna local, exigindo parcimônia na introdução de populações oriundas de diferentes localidades. Introduções precipitadas podem prejudicar o conhecimento científico, já que muitas espécies são coletadas e descritas, sem que sejam feitos esforços para compreender sua biologia e potencial aplicação prática.

Para mitigar esses riscos, diversos países têm adotado regras mais rígidas durante o processo de avalição de potenciais espécies candidatas de predadores ou parasitoides exóticos em seu território. Como consequência inúmeras importações têm sido barradas. Inicialmente, em alguns países, essa análise mais rígida e criteriosa, foi apontada como uma das causas para significativa diminuição na utilização do controle biológico, observado nos anos 2000, após anos de aumento contínuo. Porém, logo após esta queda, a comercialização de inimigos naturais voltou a aumentar, mas desta vez com um quadro totalmente diferente. Forçadas pela fiscalização mais rígida, as empresas de controle biológico passaram a buscar organismos biológicos nativos em cada região, fazendo com que, atualmente a quantidade de inimigos naturais endêmicos disponíveis para comercialização, seja mais que o dobro dos exóticos.

Alguns dos benefícios do emprego de espécies endêmicas em programas de controle biológico aplicado são: (1) espécies nativas geralmente encontram-se em equilíbrio na teia alimentar, possuindo inimigos naturais capazes de controlá-los caso cheguem à áreas naturais; (2) com maiores dificuldades para introdução de espécies exóticas, os pesquisadores reduziram a frequência das caras buscas por predadores pelo mundo e passaram a olhar para seus próprios quintais e ver, ali, uma fonte preciosa; (3) o estímulo pela busca de inimigos naturais endêmicos pode favorecer o conhecimento sobre a fauna local, além de estimular pesquisadores a aprofundarem os estudos sobre as espécies que coletam.

Obviamente, o objetivo não é, e nem pode ser, criar um muro intransponível que proíba o intercâmbio de espécies benéficas entre os países. Porém, regras rígidas devem continuar sendo aplicadas e revisadas para cada localidade, exigindo que o pesquisador e/ou empresa interessado em introduzir determinada espécie comprove a necessidade e inocuidade daquela introdução. Além disso, o serviço quarentenário de cada localidade deve ser respeitado e utilizado com abundância e não menosprezado como muitas vezes ocorre hoje.

Por fim, antes de cada introdução, a comunidade cientifica local deve ser acionada e a possibilidade de se iniciar uma busca por inimigos naturais locais, deve ser sempre considerada. A integração entre pesquisadores, empresas e comunidade local tende a gerar bons frutos e muitos beneficiados: os produtores que terão um agente de controle para as pragas que os atormentam; as empresas de controle biológico que terão produtos únicos para comercialização; a fauna local que está sendo preservada; a economia que será fomentada pela contratação de profissionais locais durante os períodos de pesquisa e produção e, por fim, a ciência, por todo o conhecimento produzido ao longo do caminho! No Brasil as regras para a introdução de agentes benéficos exóticos são seguidas à risca pelas instituições públicas e privadas envolvidas com o processo, dando-se sempre a preferência pelo registro e emprego de agentes biológicos nativos.

Como ficam os ácaros neste cenário? Ao contrário da Europa, América do Norte e África, a América do Sul sempre priorizou a utilização de espécies benéficas próprias da região. As três espécies de ácaros predadores aqui comercializadas em larga escala, Phytoseiulus macropilis, Neoseiulus californicus (ambas para o controle do ácaro rajado) e Stratiolaelaps scimitus (para o controle de pragas edáficas) são endêmicas e diferem daquelas comercializadas para os mesmos fins nos demais continentes (exceto N. californicus).

Um exemplo da preocupação que existe no Brasil em se priorizar espécies endêmicas, são os diversos esforços realizados para encontrar aqui predadores de ácaros fitófagos recém introduzidos ou ainda sem um método de controle efetivo. Um destes esforços está sendo realizado pelo MSc. Geovanny Barroso, que durante seu trabalho de doutorado na ESALQ/USP está buscando, no estado de São Paulo, inimigos naturais do ácaro fitófago Raoiella indica, uma importante praga de palmeiras. Apesar de ter sido registrada no Brasil há apenas alguns anos, esta praga já causa sérios danos. Este pesquisador reafirma vantagens de se buscar ácaros predadores nativos; “nosso país tem uma grande diversidade de inimigos naturais e isso se torna a principal vantagem... Além disso, inimigos naturais nativos já estão mais adaptados às condições ambientais do local, existindo uma grande chance de se encontrar uma população de um predador que seja capaz de reduzir a praga a níveis não econômicos”.

Outros exemplos de busca por ácaros predadores estão ocorrendo em todo o país, nos diversos centros de pesquisa em acarologia existentes no Brasil e todo este esforço é compensador. Afinal, além da vantagem natural, devido à nossa abundante biodiversidade, nosso país é rico em pesquisadores com muita motivação e vontade de buscar por novas soluções para o controle de pragas, contribuindo com a ciência e com uma sociedade melhor. Ressalta-se que também existem regras para a bioprospecção e uso de espécies endêmicas com potencial de uso para o controle biológico, as quais também devem ser observadas e seguidas à risca pelos pesquisadores e interessados em seu uso prático.

 

Para saber mais:

VAN Lenteren, J. C. The state of commercial augmentative biological control: plenty of natural enemies, but a frustrating lack of uptake. BioControl, v. 57, p. 1-20, 2012.

 
 
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