Nematoide-das-galhas: uma grande ameaça à horticultura

Quem são os nematoides?

Nematoides são vermes presentes nos mais diversos habitats, como no solo, água doce e salgada. Podem ser classificados como parasitas de animais, insetos e plantas. Nos solos agrícolas existem uma comunidade complexa de diferentes espécies de nematoides que possuem diferentes hábitos alimentares. Alguns se alimentam de bactérias ou fungos, outros são predadores ou onívoros. No entanto, uma parcela dessa comunidade se alimenta diretamente nas raízes das plantas, podendo provocar doenças.

Os fitonematoides, aquelas espécies que atacam plantas, em geral são classificados como endoparasitas, que invadem os tecidos radiculares e permanecem a maior parte do seu ciclo de vida dentro das raízes das plantas, ou ectoparasitas, que geralmente alimentam-se externamente na raiz. Sua alimentação acontece por meio de um estilete que é inserido nas células das raízes para remover o conteúdo celular. Consequentemente, a planta atacada passa a ter dificuldade na absorção de água e nutrientes pelo sistema radicular.

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Galhas causadas no sistema radicular do tomateiro devido ao ataque de Meloidogyne incognita.

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Galhas causadas no sistema radicular do tomateiro devido ao ataque de Meloidogyne incognita.

Conheça essa importante praga

O nematoide-das-galhas, Meloidogyne incognita, é uma das espécies mais comumente relatadas causando danos em hortaliças. Possui ampla gama de hospedeiros que incluem principalmente solanáceas como pimentão, jiló, berinjela e tomate. Está presente em praticamente todo o mundo, principalmente em regiões de clima quente, em regiões tropicais e subtropicais.

M. incognita é um endoparasita sedentário que completa seu ciclo de vida, quando em temperaturas ideais (27oC), geralmente entre 22 a 30 dias. Os ovos são depositados pela fêmea, na superfície das raízes, envolvidos por uma massa gelatinosa. A eclosão dos juvenis é influenciada pela temperatura e ocorre sem a necessidade de estímulos das raízes das plantas, embora, alguns exsudatos radiculares estimulem a eclosão. Fatores químicos e físicos como umidade e a aeração do solo, o pH e os produtos químicos orgânicos e inorgânicos contidos na água do solo também influenciam no processo de eclosão.

Seu ciclo de vida é constituído pela fase de ovo, quatro juvenis (J1, J2, J3, J4) e adultos. O ovo, o qual é depositado pela fêmea, é unicelular e seu desenvolvimento ocorre dentro de poucas horas após a ovoposição, resultando em 2, 4, 8 e mais células, até a total formação do juvenil de primeiro estádio (J1) no seu interior. A primeira ecdise ocorre no interior do ovo, dando origem ao J2 que eclode depois de perfurar uma das extremidades da casca do ovo com seu estilete, e passa a migrar no solo à procura de raízes de plantas que possa hospedá-lo.

A penetração do nematoide é rápida e ocorre, geralmente, próxima ao ápice radicular. Os J2 penetram a rígida parede das células radiculares pela combinação de injúria física via inserção do estilete e decomposição da parede por enzimas celulíticas e pectolíticas. Após a penetração na raiz, os J2 migram intercelularmente no córtex na região de diferenciação celular. Os juvenis circundam a barreira formada pela endoderme e migram ao longo do tecido radicular, se movendo em direção ao cilindro vascular e, após migrarem uma pequena distância, os J2 tornam-se imóveis no tecido cortical da zona de diferenciação. A parte anterior dos J2 fica na periferia do tecido vascular e o resto do corpo fica no córtex paralelo ao eixo longitudinal da raiz.

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Fêmea de nematoide-das-galhas (Meloidogyne incognita)

Depois de penetrar no tecido do hospedeiro e estabelecer o sítio de alimentação, os J2 sofrem algumas mudanças morfológicas. Os nematoides aumentam levemente seu comprimento, ocorrendo um aumento das glândulas esofagianas e do metacorpo. Durante o desenvolvimento, os juvenis gradualmente assumem um formato salsichóide e sofrem três ecdises. A última ecdise o macho, se apresenta como um nematoide longo e filiforme dentro da cutícula do quarto estádio juvenil (J4), retida como revestimento. A fêmea adulta, no início, mantém o formato do último estádio juvenil, mas aumenta quando madura e torna-se piriforme. As fêmeas secretam os ovos envoltos pó uma massa gelatinosa. A energia utilizada para completar as terceiras e quartas ecdises é obtida pelo nematoide antes da segunda ecdise, pois este não é capaz de se alimentar durante os estágios J2, J3 e J4. Isto porque durante este período o nematoide não possui estilete, que a partir da quarta ecdise, reaparece e os órgãos dos aparelhos digestivos e reprodutivos são desenvolvidos.

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Ciclo de vida do nematoide-das-galhas (Meloidogyne incognita).

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Ciclo de vida do nematoide-das-galhas (Meloidogyne incognita).

Hospedeiros, Sintomas e Danos Econômicos

Os nematoides do gênero Meloidogyne estão amplamente distribuídos, parasitando diversas culturas de importância econômica. Menciona-se que mais de 2000 espécies vegetais são suscetíveis à infecção por nematoides das galhas e causam aproximadamente 5% da perda global das culturas.

As hortaliças, de uma forma geral, apresentam grande suscetibilidade aos nematoides, sendo os pertencentes ao gênero Meloidogyne os mais importantes, com destaque para M. incognita que está entre as espécies mais frequentes nas áreas produtoras.

As perdas causadas por fitonematoides em hortaliças são estimadas em 12,3% nos países desenvolvidos e 14,6% nos países em desenvolvimento. No caso de Meloidogyne, os nematoides se alimentam das raízes, deixando o sistema radicular completamente desorganizado, causando sintomas reflexos como ponteiro clorótico, murchas nas horas quentes do dia, menor crescimento das plantas, menor tamanho e quantidade de frutos. Os danos podem ser expressos pela redução de produção ou então pela depreciação da qualidade do produto a ser comercializado.

Além dos danos severos causados pelos nematoides formadores de galhas, estes são altamente prolíferos e apresentam um ciclo de vida rápido, fazendo com que a população aumente de maneira intensa durante um ciclo de produção. Do mais, a maioria das espécies são polífagas, dificultando a adoção de rotação de culturas como método de controle.

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Área de produção de alface, sem (A) e com (B) infestação de Meloidogyne incognita.

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Área de produção de alface, sem (A) e com (B) infestação de Meloidogyne incognita.

Amostragem

O correto diagnóstico da espécie de nematoide envolvida é feito pela análise de amostras de solo e raízes em laboratório especializado, visando conhecer as densidades populacionais destes organismos no solo, na fase de pré-plantio e em fases posteriores de desenvolvimento da cultura. Com isso, pode-se preventivamente reduzir os prejuízos, antes do plantio, bem como amenizar as perdas em caso do nematoide já estar instalado na lavoura.

No momento da amostragem, pequenas porções de solo, em torno de 200 g e algumas raízes deverão ser coletadas. Recomenda-se coletar em torno de 15-20 subamostras por hectare. Com caminhamento em zig-zag pela área a ser amostrada, as subamostras de solo e raiz deverão ser coletadas na profundidade de 20-30 cm ao redor das plantas e posteriormente homogeneizadas. Para a formação da amostra composta retirar cerca de 400-500g de solo homogeneizado e 200-300 gramas de raízes coletadas aleatoriamente. A amostra composta deve ser identificada e enviada para um laboratório especializado. Para áreas extensas e irregulares, é recomendável dividir a mesma em glebas e retirar uma amostra composta por gleba. Caso não seja possível enviar as amostras no mesmo dia, estas devem ser armazenadas e mantidas em temperaturas entre 10°C e 15°C, ou deixadas à sombra para que não ocorra o ressecamento, que dificulta o correto diagnóstico em laboratório.

O laboratório de Nematologia da PROMIP, oferece serviço especializado na área de análise comercial de solo e raiz para identificação e quantificação de nematoides parasitos de planta. Essa análise é imprescindível para que o produtor possa adotar a melhor estratégia de manejo desses organismos.

Nematoides

Assista ao vídeo

Como manejar essa praga

De uma maneira geral, no cultivo de hortaliças, o controle de nematoides do gênero Meloidogyne, é difícil, uma vez que sua ampla distribuição, sua polifagia e existência de raças dentro da mesma espécie, dificulta a adoção de manejos com variedade resistente e rotação de culturas, sendo estas algumas das medidas de controle mais eficientes e viáveis em nossas condições.

A limpeza de ferramentas e maquinários agrícolas são medidas preventivas de extrema importância para evitar a entrada de nematoides na lavoura. O controle químico, as práticas culturais e o controle biológico são medidas realizadas visando o controle dos nematoides. Outras medidas como o uso de controle químico associado à rotação de cultura e uso de adubação verde, também ajudam na redução da população do patógeno no solo. A utilização de plantas antagônicas como aveia preta, cravo de defunto, crotalárias, erva Santa Maria e mucuna preta, uma vez que algumas destas plantas liberam substâncias tóxicas que inibem o desenvolvimento do nematoide, também é uma importante medida de controle.

O emprego da enxertia com porta enxertos resistentes, constitui uma alternativa de controle de nematoides a curto prazo, e que desde que começou a ser praticada em hortaliças, apresenta-se como uma boa alternativa na solução de problemas nematológicos. A enxertia pode também proporcionar, dependendo do porta enxerto escolhido, menor multiplicação dos nematoide das galhas comparada ao plantio de pés franco.

Na visão atual de manejo integrado de nematoides o uso do termo “controle” vem sendo gradativamente substituído pelos termos “convivência e adequação de cultivo”, nos quais não se pensa mais em eliminar o patógeno, e sim reduzir suas populações a níveis abaixo dos níveis de dano econômico. Para tanto, o emprego de diversas medidas conjuntas é o foco principal. Entretanto, do ponto de vista de manejo do nematoide-das-galhas, poucas são as estratégias que têm sido realmente utilizadas, seja pelas dificuldades de execução ou pelo custo de implantação.

Além disso, observa-se que pouco se tem feito pelo uso do “manejo integrado” de nematoides, uma vez que as medidas propostas têm sido estanques e localizadas.

O objetivo é reunir as diferentes estratégias e focos de ação das melhores medidas de controle até o presente, estudadas de forma individual, e aplicá-las em um contexto produtivo real. Assim, os diversos métodos de controle trabalhados em conjunto resultaram em maior produção e qualidade do produto final.

Entre as medidas que integram o manejo de nematoides, podemos iniciar com medidas para prevenir a entrada no patógeno na área. Para isso é necessário o cuidado com a sanidade das mudas, por exemplo batatas, tomate, mandioquinha-salsa, etc. Substratos esterilizados, cuidados com a irrigação e implementos utilizados para preparo da área. Em áreas já contaminadas, evitar a disseminação do nematoide, realizando a lavagem de implementos após o uso nessas áreas.

Em áreas já contaminadas, aplicar medidas que visam a redução populacional do nematoide. Isso pode ser realizado com a eliminação de raízes contaminadas na área, por exemplo em áreas produtoras de alface, rúcula, repolho, couve, quiabo, etc. É importante também a eliminação de plantas hospedeiras, como plantas invasoras na entre safra.

A aração profunda e/ou tratamento químico seguida de solarização são medidas funcionais para reduzir a população. A rotação de culturas com espécies de importância econômicas (milho resistente) ou não (crotalária, mucuna e cravo de defunto) consiste numa das principais medidas para redução populacional. Existem ainda ações visando a proteção das plantas, impedindo a colonização do nematoide no hospedeiro, como o tratamento de semente com produtos químicos ou biológicos ou ainda a resistência genética, como o tomate Nemadoro, que possui com resistências a nematoides vinda no gene Mi. Outras medidas como alqueive, alqueive úmido, uso de plantas armadilha, aplicação de matéria orgânica e aplicação de restos vegetais de plantas com ação nematicidas, como o uso de brássicas, são outros métodos para o manejo integrado de nematoides parasitos de planta.

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Aração profunda

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Solarização

Como sabemos da dificuldade de controle dos fitonematoides e dos prejuízos causados por esses patógenos, a adoção de uma estratégia de controle múltiplo permiti a produção de hortaliças sem afetar a produtividade e qualidade do produto final.

Como manejar essa praga

De uma maneira geral, no cultivo de hortaliças, o controle de nematoides do gênero Meloidogyne, é difícil, uma vez que sua ampla distribuição, sua polifagia e existência de raças dentro da mesma espécie, dificulta a adoção de manejos com variedade resistente e rotação de culturas, sendo estas algumas das medidas de controle mais eficientes e viáveis em nossas condições.

A limpeza de ferramentas e maquinários agrícolas são medidas preventivas de extrema importância para evitar a entrada de nematoides na lavoura. O controle químico, as práticas culturais e o controle biológico são medidas realizadas visando o controle dos nematoides. Outras medidas como o uso de controle químico associado à rotação de cultura e uso de adubação verde, também ajudam na redução da população do patógeno no solo. A utilização de plantas antagônicas como aveia preta, cravo de defunto, crotalárias, erva Santa Maria e mucuna preta, uma vez que algumas destas plantas liberam substâncias tóxicas que inibem o desenvolvimento do nematoide, também é uma importante medida de controle.

O emprego da enxertia com porta enxertos resistentes, constitui uma alternativa de controle de nematoides a curto prazo, e que desde que começou a ser praticada em hortaliças, apresenta-se como uma boa alternativa na solução de problemas nematológicos. A enxertia pode também proporcionar, dependendo do porta enxerto escolhido, menor multiplicação dos nematoide das galhas comparada ao plantio de pés franco.

Na visão atual de manejo integrado de nematoides o uso do termo “controle” vem sendo gradativamente substituído pelos termos “convivência e adequação de cultivo”, nos quais não se pensa mais em eliminar o patógeno, e sim reduzir suas populações a níveis abaixo dos níveis de dano econômico. Para tanto, o emprego de diversas medidas conjuntas é o foco principal. Entretanto, do ponto de vista de manejo do nematoide-das-galhas, poucas são as estratégias que têm sido realmente utilizadas, seja pelas dificuldades de execução ou pelo custo de implantação.

Além disso, observa-se que pouco se tem feito pelo uso do “manejo integrado” de nematoides, uma vez que as medidas propostas têm sido estanques e localizadas.

O objetivo é reunir as diferentes estratégias e focos de ação das melhores medidas de controle até o presente, estudadas de forma individual, e aplicá-las em um contexto produtivo real. Assim, os diversos métodos de controle trabalhados em conjunto resultaram em maior produção e qualidade do produto final.

Entre as medidas que integram o manejo de nematoides, podemos iniciar com medidas para prevenir a entrada no patógeno na área. Para isso é necessário o cuidado com a sanidade das mudas, por exemplo batatas, tomate, mandioquinha-salsa, etc. Substratos esterilizados, cuidados com a irrigação e implementos utilizados para preparo da área. Em áreas já contaminadas, evitar a disseminação do nematoide, realizando a lavagem de implementos após o uso nessas áreas.

Em áreas já contaminadas, aplicar medidas que visam a redução populacional do nematoide. Isso pode ser realizado com a eliminação de raízes contaminadas na área, por exemplo em áreas produtoras de alface, rúcula, repolho, couve, quiabo, etc. É importante também a eliminação de plantas hospedeiras, como plantas invasoras na entre safra.

A aração profunda e/ou tratamento químico seguida de solarização são medidas funcionais para reduzir a população. A rotação de culturas com espécies de importância econômicas (milho resistente) ou não (crotalária, mucuna e cravo de defunto) consiste numa das principais medidas para redução populacional. Existem ainda ações visando a proteção das plantas, impedindo a colonização do nematoide no hospedeiro, como o tratamento de semente com produtos químicos ou biológicos ou ainda a resistência genética, como o tomate Nemadoro, que possui com resistências a nematoides vinda no gene Mi. Outras medidas como alqueive, alqueive úmido, uso de plantas armadilha, aplicação de matéria orgânica e aplicação de restos vegetais de plantas com ação nematicidas, como o uso de brássicas, são outros métodos para o manejo integrado de nematoides parasitos de planta.

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Como sabemos da dificuldade de controle dos fitonematoides e dos prejuízos causados por esses patógenos, a adoção de uma estratégia de controle múltiplo permiti a produção de hortaliças sem afetar a produtividade e qualidade do produto final.

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