A cana-de-açúcar é uma das principais culturas do mundo, representando grande importância econômica para países produtores. Entretanto, cerca de 80% da produção se concentra em apenas dez países.

A cultura é uma das principais para economia brasileira. Sendo o Brasil o maior produtor e também o primeiro do mundo na produção de açúcar e etanol, conquistando cada vez mais o mercado externo com o uso do biocombustível como alternativa energética. Responsável por mais da metade do açúcar comercializado no mundo, o país deve ter um aumento da produção de 3,25%, até 2018/19.

Entretanto, diferentes problemas fitossanitários podem ocorrer e causar danos significativos a cultura, acarretando perda em sua produção. Dentre esses problemas, os nematoides estão entre as mais comuns e impactantes na cultura.

No Brasil, três espécies de nematoides têm destaque na cultura de cana-de-açúcar, devido aos danos que causam à cultura: Meloidogyne javanica, M. incognita e Pratylenchus zeae. Cada uma dessas espécies apresenta diferentes graus de infestação e severidade de danos à cultura e são responsáveis por reduzir a produtividade dos canaviais em cerca de 10%, podendo chegar até a 50%.

Os sintomas causados por fitoparasitas são de difícil percepção durante o desenvolvimento da cana, porém as irregularidades na lavoura podem indicar a presença de nematoides. Na cultura, os sintomas da presença de nematoides são reboleiras de plantas menores e cloróticas, murchas nas horas mais quentes do dia, plantas menos produtivas, entre outras de porte e coloração aparentemente normais. Os sintomas na parte aérea significam que os nematoides estão atacando as raízes, de onde retiram nutrientes e introduzem toxinas, resultando em deformações ou necrosamento. Como resultado, as raízes se tornam pouco desenvolvidas, pobres em radicelas, com deficiência de nutrientes, ficando impossibilitadas de realizar normalmente suas funções.

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Área de produção de cana-de-açúcar.

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Área de produção de cana-de-açúcar.

Nematoides na cultura da cana-de-açúcar

Nematoides das galhas

Os nematoides das galhas são endoparasitas sedentários com ciclo de vida constituído pela fase de ovo, quatro juvenis (J1, J2, J3, J4) e adulto.
A penetração dos nematoides das galhas é rápida e ocorre próxima ao ápice radicular, mas pode ocorrer em outros locais. Após a penetração na raiz, os J2 migram intercelularmente no córtex na região de diferenciação celular. Ao estabelecer o sítio de alimentação, os J2 sofrem algumas mudanças morfológicas. Durante o desenvolvimento, os juvenis gradualmente assumem um formato salsichóide (Figura 2) e sofrem três ecdises. A última ecdise, o macho, se apresenta como um nematoide longo e filiforme dentro da cutícula do quarto estádio juvenil (J4), retida como revestimento. A fêmea adulta, no início, mantém o mesmo formato do último estádio juvenil, mas aumenta quando madura e torna-se piriforme.

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Ciclo de vida dos nematoides. Fonte: Patrícia Milano em Torres et al. (2008)

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Ciclo de vida dos nematoides. Fonte: Patrícia Milano em Torres et al. (2008)

Nematoides das lesões radiculares

Os nematoides-das-lesões estão distribuídos em grande parte das regiões produtoras de cana-de-açúcar e quando em alta densidade populacional, podem comprometer o desenvolvimento vegetal, em função dos danos causados às raízes parasitadas, levando a reduções expressivas na produtividade.

Se trata de é um endoparasita migrador, que apresenta grande mobilidade e se alimenta de células do córtex das raízes.  As lesões radiculares, que são os sintomas típicos causados pelos nematoides são o resultado da coalescência das galerias produzidas por vários nematoides.

Diferentemente de algumas espécies de nematoides, os juvenis de segundo estádio (J2), os quais eclodem do ovo, bem como os de terceiro e quarto estádios e as fêmeas são vermiformes e moveis, diferentes entre si apenas pelo tamanho (Figura 2). Com a última troca de cutícula, o juvenil de quarto estádio se torna uma fêmea, como tal processo ocorre no interior das raízes, esse nematoide é tipicamente um nematoide endoparasita. As fêmeas depositam seus ovos isoladamente ou em grupos no solo ou nas raízes.

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Juvenil de Meloidogyne.

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Fêmea de Pratylenchus.

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Juvenil de Meloidogyne.

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Fêmea de Pratylenchus.

Sintomas e danos

O ataque de nematoides à cana-de-açúcar ocorre no sistema radicular, de onde extraem nutrientes para seu crescimento e desenvolvimento e para isso injetam toxinas nas células radiculares, resultando em deformações ou necrosamento (Figura 3). Em consequência do ataque dos nematoides, as raízes tornam-se pobres em radicelas (Figura 3) e incapazes de absorver a água e os nutrientes necessários ao adequado desenvolvimento das plantas que assim ficam menores, raquíticas, cloróticas e menos produtivas. Como sintomas reflexos na parte aérea, são observadas reboleiras de plantas menores e cloróticas.

No caso de espécies do gênero Meloidogyne, os nematoides penetram nas raízes das plantas e estimulam o aumento do número e do tamanho das suas células. Isso ocorre particularmente nas raízes invadidas pelos juvenis de segundo estádio (J2), formando desta maneira as galhas. No caso da cultura da cana-de-açúcar é comum a não formação de galhas do sistema radicular.

Espécies do gênero Pratylenchus, invadem o parênquima cortical e produzem extensas áreas necróticas provocando o escurecimento das raízes que se destaca quando ocorre densidade alta do patógeno, resultando em menor desenvolvimento da parte aérea.

Sua ação direta é a destruição mecânica das células durante a migração, resultando em lesão necrótica na raiz e a injeção de secreções esofagianas tóxicas, causando redução no crescimento da planta. Além disso, estas lesões podem servir de porta de entrada para outros microrganismos presentes no solo com aumento do grau de depreciação dos tubérculos para comercialização.

Os danos causados pelos nematoides varia em função do nível populacional dos parasitos, do tipo de solo e da variedade cultivada, sendo que M. javanica e P. zeae causam, em média, cerca de 20 a 30% de redução de produtividade e M. incognita pode ocasionar perdas maiores, ao redor de 40 %. Em casos de variedades muito suscetíveis e níveis populacionais muito altos, as perdas provocadas por nematoides podem chegar a 50 % da produtividade.

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Sistema radicular pobre devido ao ataque de Meloidogyne.

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Raízes necrosadas causadas por Pratylenchus.

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Sistema radicular pobre devido ao ataque de Meloidogyne.

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Raízes necrosadas causadas por Pratylenchus.

Amostragem

O correto diagnóstico da espécie de nematoide envolvida é feito pela análise de amostras de solo e raízes em laboratório especializado, visando conhecer as densidades populacionais destes organismos no solo, na fase de pré-plantio e em fases posteriores de desenvolvimento da cultura. Com isso, pode-se preventivamente reduzir os prejuízos, antes do plantio, bem como amenizar as perdas em caso do nematoide já estar instalado na lavoura.

A coleta de amostras deve ser feita preferencialmente em época chuvosa, coletando solo e raiz da rizosfera de pelo menos 10 touceiras de cana por talhão homogêneo de até 10 há para a formação de uma amostra composta (Figura 4). É recomendável que talhões maiores que 10 ha sejam subdivididos, para que a amostra composta não represente área superior a esta. A amostragem pode ser realizada em cana planta como em soqueiras.

Em áreas a serem reformadas, a amostragem pode ser realizada de dezembro a março, antes do último corte, adotando-se o mesmo critério citado anteriormente. Em área sem plantas, com solo já preparado, a amostragem pode ser realizada plantando uma variedade suscetível, conhecida como planta isca (de preferência entre setembro e dezembro) de modo que a planta possa vegetar e se desenvolver por um período superior a 60 dias. Antes do plantio da cultura definitiva na área, as “iscas” devem ser arrancadas para compor a amostra a ser analisada.

Durante a coleta em campo, as amostras devem ser mantidas na sombra, de preferência em caixas de isopor. A remessa ao laboratório deve ser feita o mais rapidamente possível, porém, se for necessário aguardar alguns dias (4 a 5) para o envio das amostras ao laboratório, elas podem ser mantidas em sala fresca, longe da luz direta do sol.

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Coleta de solo e touceira para análise nematológica.

O laboratório de Nematologia da Promip, oferece serviço especializado na área de análise de solo e raiz para identificação e quantificação de nematoides parasitos de planta. Essa análise é imprescindível para que se possa adotar a melhor estratégia de manejo desses organismos.

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Nematoides na cultura da cana-de-açúcar

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Manejo integrado de nematoides

De forma geral, o controle de nematoides não é uma tarefa fácil, necessitando da adoção de um conjunto de medidas de controle. Na visão atual de manejo integrado de nematoides o uso do termo “controle” vem sendo gradativamente substituído pelos termos “convivência e adequação de cultivo”, nos quais não se pensa mais em eliminar o patógeno, e sim reduzir suas populações a níveis abaixo dos níveis de dano econômico.

O objetivo é reunir as diferentes estratégias e focos de ação das melhores medidas de controle até o presente, estudadas de forma individual, e aplicá-las em um contexto produtivo real. Assim, os diversos métodos de controle trabalhados em conjunto resultaram em maior produção e qualidade do produto final.

Dentre as medidas de controle, o uso de variedades resistentes a nematoides é a mais desejada, por não implicar custos ao produtor e riscos ao ambiente, pois a variedade resistente pode ser plantada em áreas infestadas por nematoide, sem a necessidade de outras medidas de controle. No entanto, não há variedades comerciais resistentes às espécies importantes para a cultura (M. javanica, M. incognita ou P. zeae).

Dada a ausência de variedades comerciais resistentes a uma ou a mais espécie de nematoides, o manejo de áreas infestadas, tem se baseado principalmente no uso de nematicidas químicos/biológicos aplicados no plantio e/ou nas soqueiras. Atualmente temos vários nematicidas registrados para a cultura, com formulações liquidas ou granuladas.

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Aplicação de nematicida na cultura da cana-de-açúcar.

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