As hortaliças apresentam grande valor comercial no estado de São Paulo, sendo produzidas em diversas regiões do estado. A cultura do pimentão, com sua importância, teve um aumento da área de produção, e consequentemente, aumentou-se os problemas fitossanitários. Dessa forma, a cultura sofre frequentemente ataques de pragas e doenças que resultaram em elevadas aplicações de agrotóxicos para minimizá-los, o que favorece desequilíbrios biológicos no agroecossistema, contaminação dos recursos naturais e dos frutos com resíduos de agrotóxicos.

Devido a isso, surgiu a Produção Integrada de Pimentão (PIP) que tem a finalidade de elaborar normas técnicas especificas para o cultivo de pimentão visando a melhora do manejo dessa cultura. E o manejo de pragas e doenças é um dos principais problemas a ser trabalhado na PIP, pois vem sendo feito de maneira inadequada pela maioria dos produtores.

Entre os principais problemas fitossanitários na cultura do pimentão, destacam-se os nematoides. As perdas causadas por esses parasitas em hortaliças, são estimadas em 12,3% nos países desenvolvidos e 14,6% nos países em desenvolvimento. Na cultura do pimentão, os maiores problemas estão relacionados as espécies de nematoides das galhas, pertencentes ao gênero Meloidogyne e espécies pertencentes ao gênero Pratylenchus.

No caso de Meloidogyne, os nematoides se alimentam das raízes, deixando o sistema radicular completamente desorganizado, causando galhas no local atacado e sintomas reflexos como ponteiro clorótico, murchas nas horas quentes do dia, menor crescimento das plantas, menor tamanho e quantidade de frutos. Já os nematoides das lesões radiculares, Pratylenchus spp., são endoparasitas migradores, os quais apresentam grande mobilidade e se alimentam de células do córtex das raízes.  As lesões radiculares que são os sintomas típicos causados pelos nematoides são o resultado da coalescência das galerias produzidas por vários nematoides. Plantas infectadas apresentam atraso no desenvolvimento, com drástica redução do crescimento em relação às não infectadas. Na parte aérea, ocorre murcha e desenvolvimento reduzido da planta e frutos.

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Sistema de produção de pimentão.

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Sistema de produção de pimentão.

Nematoides das galhas (Meloidogyne )

Os nematoides das galhas são endoparasitas sedentários com ciclo de vida constituído pela fase de ovo, quatro juvenis (J1, J2, J3, J4) e adulto.

A penetração dos nematoides das galhas é rápida e ocorre próxima ao ápice radicular, mas pode ocorrer em outros locais. Após a penetração na raiz, os J2 migram intercelularmente no córtex na região de diferenciação celular. Ao estabelecer o sítio de alimentação, os J2 sofrem algumas mudanças morfológicas. Durante o desenvolvimento, os juvenis gradualmente assumem um formato salsichóide e sofrem três ecdises. A última ecdise, o macho, se apresenta como um nematoide longo e filiforme dentro da cutícula do quarto estádio juvenil (J4), retida como revestimento. A fêmea adulta, no início, mantém o mesmo formato do último estádio juvenil, mas aumenta quando madura e torna-se piriforme.

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Ciclo de vida de Meloidogyne.

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Ciclo de vida de Meloidogyne.

Em plantios comerciais de pimentão é comum os problemas com fitonematoides, ligados a nematoides do gênero Meloidogyne. Nesse gênero, existem mais de 69 espécies, sendo M. incognita considerada a de maior ocorrência. No Brasil, as mais importantes e comuns em cultivos de pimentão são M. incognita, M. javanica e M. arenaria uma vez que essas se adaptam melhor às condições tropicais e subtropicais.

Porém, nos últimos anos, a ocorrência de M. enterolobii em cultivos de pimentão no interior paulista e no Distrito Federal, tem causado preocupação entre os produtores, sendo considerado um dos principais problemas da cultura. Esta espécie de Meloidogyne quebra a resistência conferida por cultivares de pimentão resistentes a outras espécies do nematoide das galhas, tais como M. incognita e M. javanica. A capacidade de M. enterolobii contornar a resistência genética das cultivares, não está ligada ao aumento de temperatura do solo, como ocorre nas outras espécies de Meloidogyne spp. é uma característica intrínseca dessa espécie, e já foi verificada em diferentes temperaturas.

Atualmente, encontram-se disponíveis comercialmente híbridos intraespecíficos de pimentão utilizados como porta-enxerto resistentes, tais como ‘Silver’, ‘AF 8253’, ‘Snooker’ e outros, cujos genes e mecanismos responsáveis pela resistência ao nematoide das galhas (M. incognita raças 1, 2, 3 e 4 e M. javanica) ainda são pouco conhecidos.

Nematoides das lesões radiculares (Pratylenchus )

O nematoide das lesões radiculares, Pratylenchus spp., é um endoparasita migrador, que apresenta grande mobilidade e se alimenta de células do córtex das raízes.  As lesões radiculares, que são os sintomas típicos causados pelos nematoides são o resultado da coalescência das galerias produzidas por vários nematoides.

Diferentemente de algumas espécies de nematoides, os juvenis de segundo estádio (J2), os quais eclodem do ovo, bem como os de terceiro e quarto estádios e as fêmeas são vermiformes e moveis, diferentes entre si apenas pelo tamanho. Com a última troca de cutícula, o juvenil de quarto estádio se torna uma fêmea, como tal processo ocorre no interior das raízes, esse nematoide é tipicamente um nematoide endoparasita. As fêmeas depositam seus ovos isoladamente ou em grupos no solo ou nas raízes.

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Adultos de Pratylenchus spp.

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Adultos de Pratylenchus spp.

Representantes desse gênero (Pratylenchus spp.) têm sido relatados causando danos severos em diversas culturas de importância econômica, e vêm se tornando grande ameaça às hortaliças, como o pimentão.

Atualmente, existem mais de 70 espécies de Pratylenchus distribuídas mundialmente com parasitismo em diferentes culturas. Essas espécies apresentam ampla gama de hospedeiros e distribuição generalizada em diferentes regiões de clima tropical, subtropical e temperado. No Brasil, as mais importantes são P. brachyurus, P. zea, Pratylenchus penetrans e P. coffeae, considerando perdas e danos causados bem como a distribuição geográfica e o número de espécies vegetais hospedeiras. Em cultivos de pimentão, as principais espécies que ocorrem são Pratylenchus brachyurus e P. penetrans.

Sintomas e danos

No caso de espécies do gênero Meloidogyne, os nematoides penetram nas raízes das plantas e estimulam o aumento do número e do tamanho das suas células. Isso ocorre particularmente nas raízes invadidas pelos juvenis de segundo estádio (J2), formando desta maneira as galhas. Após várias invasões nas raízes por inúmeros J2, as galhas formadas adquirem forma alongada e aspecto de inchaço ao longo do sistema radicular, sintoma típico da doença.

O ataque dos mesmos induz a formação abundante de galhas nas raízes o que causa nas plantas os sintomas de crescimento reduzido, murcha de folhas nas horas mais quentes e clorose, deixando as plantas com aparência de deficiência nutricional.

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Sintomas causados pelo ataque do nematoides das galhas (Meloidogyne spp.).

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Sintomas causados pelo ataque do nematoides das galhas (Meloidogyne spp.).

Espécies do gênero Pratylenchus, invadem o parênquima cortical e produzem extensas áreas necróticas provocando o escurecimento das raízes que se destaca quando ocorre densidade alta do patógeno, resultando em menor desenvolvimento da parte aérea.

Sua ação direta é a destruição mecânica das células durante a migração, resultando em lesão necrótica na raiz e a injeção de secreções esofagianas tóxicas, causando redução no crescimento da planta. Além disso, estas lesões podem servir de porta de entrada para outros microrganismos presentes no solo com aumento do grau de depreciação dos tubérculos para comercialização.

Plantas infectadas apresentam atraso no desenvolvimento, com drástica redução do crescimento em relação às não infectadas. Na parte aérea, ocorre murcha e desenvolvimento reduzido da planta e frutos.

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Sintomas causados pelo ataque de Pratylenchus spp.

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Plantas e frutos com tamanho reduzido.

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Sintomas causados pelo ataque de Pratylenchus spp.

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Plantas e frutos com tamanho reduzido.

Amostragem

O correto diagnóstico da espécie de nematoide envolvida é feito pela análise de amostras de solo e raízes em laboratório especializado, visando conhecer as densidades populacionais destes organismos no solo, na fase de pré-plantio e em fases posteriores de desenvolvimento da cultura. Com isso, pode-se preventivamente reduzir os prejuízos, antes do plantio, bem como amenizar as perdas em caso do nematoide já estar instalado na lavoura.

No momento da amostragem, pequenas porções de solo, em torno de 200 g e algumas raízes deverão ser coletadas. Recomenda-se coletar em torno de 15-20 subamostras por hectare. Com caminhamento em zig-zag pela área a ser amostrada, as subamostras de solo e raiz deverão ser coletadas na profundidade de 20-30 cm ao redor das plantas e posteriormente homogeneizadas. Para a formação da amostra composta retirar cerca de 400-500g de solo homogeneizado e 200-300 gramas de raízes coletados aleatoriamente. A amostra composta deve ser identificada e enviada para um laboratório especializado. Para áreas extensas e irregulares, é recomendável dividir a mesma em glebas e retirar uma amostra composta por gleba.

Caso não seja possível enviar as amostras no mesmo dia, estas devem ser armazenadas e mantidas em temperaturas entre 10°C e 15°C, ou deixadas à sombra para que não ocorra o ressecamento, que dificulta o correto diagnóstico em laboratório.

O laboratório de Nematologia da Promip, oferece serviço especializado na área de análise comercial de solo e raiz para identificação e quantificação de nematoides parasitos de planta. Essa análise é imprescindível para que o produtor possa adotar a melhor estratégia de manejo desses organismos.

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Amostras de solo e raiz para análise de nematoides.

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Amostras de solo e raiz para análise de nematoides.

Nematoides na cultura do pimentão

Assista ao vídeo

Manejo integrado de nematoides

De forma geral, o controle de nematoides não é uma tarefa fácil, necessitando da adoção de um conjunto de medidas de controle. Na visão atual de manejo integrado de nematoides o uso do termo “controle” vem sendo gradativamente substituído pelos termos “convivência e adequação de cultivo”, nos quais não se pensa mais em eliminar o patógeno, e sim reduzir suas populações a níveis abaixo dos níveis de dano econômico.

O objetivo é reunir as diferentes estratégias e focos de ação das melhores medidas de controle até o presente, estudadas de forma individual, e aplicá-las em um contexto produtivo real. Assim, os diversos métodos de controle trabalhados em conjunto resultaram em maior produção e qualidade do produto final.

Assim, recomenda-se o plantio em área livre do patógeno; utilização de mudas sadias e rotação de culturas com espécies não hospedeiras por no mínimo 6 meses. A rotação de culturas com espécies não hospedeiras é considerado um dos métodos mais antigos e eficientes de manejo, sendo necessário para a quebra do ciclo de vida de inúmeras pragas e doenças, dentre elas as espécies de nematoides presentes na área de cultivo. Porém, existem poucas opções de culturas para essa prática devido a ampla gama de hospedeiros tanto do nematoide das galhas (Meloidogyne spp.) quanto das lesões radiculares (Pratylenchus spp.). As crotalárias, especialmente Crotalaria spectabilis, constituem boas opções para a rotação de culturas, pois reduzem os níveis populacionais dos nematoides, após um ciclo de cultivo. A ocorrência concomitante do nematoide das galhas e das lesões radiculares em uma mesma área, dificulta muito o manejo cultural em relação à rotação de culturas, visto que ambos os gêneros são polífagos.

O alqueive, que consiste em manter o solo sem plantas hospedeiras ou qualquer tipo de vegetação, com revolvimento periódico a cada 15 a 20 dias durante dois meses por meio de aração ou gradagem, constituem excelente medida de manejo.

Outra prática eficiente para a redução da população de nematoides no solo é a solarização, que consiste em cobrir o solo previamente umedecido com uma lona transparente por um período de 6 a 8 semanas de sol pleno. Essa prática promove o aquecimento das camadas superficiais do solo e a redução significativa da população do patógeno. Estes métodos são recomendados para a redução dos patógenos tanto em campo com estufas.

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Diferentes métodos de controle (rotação de cultura, alqueive e solarização).

Outras medidas de manejo como o uso de matéria orgânica (torta de mamona, bagaço de cana, palha de arroz, resíduos de brássicas entre outros); eliminação de restos culturais e utilização de variedades ou porta-enxertos resistentes quanto disponíveis, principalmente quando se tratar de plantio em ambientes protegidos também apresentam bons resultados. Lembrando que, atualmente não existem cultivares ou porta-enxertos comerciais de pimentão com resistência genética comprovada ao nematoide das lesões radiculares.

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