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PERCEVEJO DA SOJA: 7 FATOS PARA TRATAR A PRAGA QUE PREJUDICA AS PLANTAÇÕES

Por janeiro 2, 2017 março 27th, 2019 Sem Comentários
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Por Carolina Barros * ([email protected])

Diferente do que a maioria dos produtores pensa, não existe só um tipo de percevejo que afeta a soja. Na verdade, a cultura é atacada por diversas espécies do inseto que fazem parte da família biológica Pentatomidae. Por isso, os insetos são chamados pentatomídeos. Esses percevejos no geral são fitófagos, ou seja, se alimentam de partes da planta, por isso que causam danos à lavoura.

O professor da Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (ESALQ-USP), Pedro Yamamoto, explica que geralmente essas espécies medem mais de 7 milímetros e a coloração pode variar. Alguns tipos de percevejo são castanho-acinzentados e outros são coloridos e brilhantes. Por isso, o produtor deve ficar atento durante a identificação, para perceber se o inseto corresponde a algum desses percevejos.

Yamamoto conta que no Brasil, no passado, existiam regiões conhecidas pela ocorrência das principais espécies. O percevejo verde estava presente no Sul, o percevejo verde-pequeno no Paraná e São Paulo e o percevejo marrom nas regiões mais quentes. O cenário mudou. Atualmente, as duas primeiras espécies são mais difíceis de encontrar, já o percevejo marrom é encontrado em todas as regiões produtoras de soja do País. “Atualmente, esse percevejo é considerado uma das principais e mais abundantes pragas da soja no Brasil”, diz o professor.

1 – Sintomas

Os percevejos podem se alimentar de várias partes da planta, mas o alimento preferencial são as vagens e as sementes. Esses insetos danificam os tecidos das sementes, o que faz com que elas fiquem “chochas” e enrugadas, o que diminui a qualidade e produção dos grãos. “Isso acontece porque os pentatomídeos, ao se alimentarem das sementes, injetam saliva contendo enzimas digestivas e sugam o conteúdo, que fica liquefeito”, explica Yamamoto.

Além do problema na formação dos grãos, plantas que são comidas pelos percevejos podem apresentar aborto dos grãos e vagens, diminuição do teor de óleo nos grãos, redução da germinação e, ainda, podem ter distúrbios fisiológicos que retardam a maturação da vagem.

2 – Prejuízo

O professor explica que a intensidade dos danos varia de acordo com a espécie de percevejo e com a fase de desenvolvimento da soja em que ocorre a infestação. “O período entre o final do desenvolvimento das vagens e início do enchimento dos grãos é o mais crítico para a ocorrência de danos”, afirma. Segundo o professor, tanto as ninfas (fase de desenvolvimento jovem dos insetos) como os adultos picam o tecido vegetal e posteriormente sugam os conteúdos celulares, danificando a planta.

3 – Monitoramento

O produtor deve fazer amostragens uma vez por semana usando pano-de-batida, em diferentes pontos da lavoura. Esse método consiste em estender um pano de um metro de largura por um metro de comprimento na entrelinha da soja e movimentá-lo entres as plantas e contar quantos insetos ficarão “capturados” no pano.

Segundo o professor, se a população do inseto atingir um percevejo por metro de fileira em campos de produção de sementes e dois percevejos em campos de produção de grãos, medidas de controle devem ser realizadas pelo produtor. “O monitoramento da população dos percevejos é o ponto chave do manejo integrado da praga na soja”, afirma Yamamoto.

4 – Como prevenir?

O controle dos percevejos pode ser feito usando inimigos biológicos naturais desses insetos, especialmente do tipo que parasitam os ovos dos percevejos. “Várias espécies de inimigos naturais são encontrados nas lavouras de soja, reduzindo as populações dos percevejos e mantendo-as abaixo do nível de dano econômico”, conta Yamamoto.

Outras maneiras de combate, explica o professor, são o plantio de cultivares precoces para manipular a época de semeadura, usar plantas armadilhas, que são leguminosas que permanecem sobre as plantas no período entressafra e o manejo de palhada, já que algumas espécies de percevejo sobrevivem até sete meses debaixo das folhas caídas.

5 – Tratamento

Se a infestação dos percevejos estiver no início e concentrada na região periférica da lavoura, o produtor pode realizar controle químico somente nas bordas, sem precisar aplicar inseticida na área total da lavoura. “Tem sido observado que a eliminação da população inicial nestas áreas é suficiente para manter a cultura com populações reduzidas de percevejos nos períodos críticos de ataque”, diz Yamamoto.

Por outro lado, se a lavoura de soja estiver muito densa, com as folhas próximas formando um dossel fechado, o inseticida pode não atingir os percevejos, por causa do efeito chamado de “efeito guarda-chuva”. Significa que a planta dificulta a pulverização do inseticida, que fica concentrado só nas folhas e não nas regiões mais baixas. “Nessas situações, recomenda-se usar o sal de cozinha (0,5% v/v) na calda inseticida”, orienta o professor.

Um fator importante na hora de escolher o inseticida adequado é analisar o efeito do defensivo nos inimigos naturais do percevejo que já existem na lavoura. O professor explica que a preferência deve ser por inseticidas que afetam menos as vespinhas, moscas e outros predadores que ocorrem nas lavouras e podem, naturalmente, exercer um controle biológico.

6 – Quais os principais erros no combate à praga?

Yamamoto orienta que, antes da semeadura da soja, a aplicação de inseticida junto ao dessecante é muito ruim, apesar de ser uma prática comum entre os produtores brasileiros. Na verdade, nessa fase a aplicação de inseticida não atinge os percevejos, que estão em um período chamado oligopausa, e o único efeito é matar a fauna benéfica que esteja na região. “A simples dessecação, seguida de um período de pouso de cerca de 20 dias, faz um controle natural desses insetos, devido à falta de alimento e de condições adequadas a sua sobrevivência”, diz o professor.

7 – Resistência do percevejo

Nas últimas safras, os produtores enfrentaram dificuldade no controle do percevejo por causa da seleção de percevejos resistentes a inseticidas. “Isso acarreta um maior número de aplicações e, consequentemente, maior impacto ambiental e maior custo de produção”, afirma Yamamoto.

O aumento na frequência de produção, uso de produtos com modos de ação similares, sem rotação e o uso de controle químico antes do momento adequado são fatores que propiciaram essa resistência. Existem estudos com feromônios que podem ser usados para definir o momento exato de controle e até mesmo para o próprio controle da praga, como uma alternativa para as tecnologias usadas atualmente.

* Carolina Barros é trainee, com supervisão de Darlene Santiago

Fonte SUCCESSFUL FARMING BRASIL

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