O interesse dos agricultores pelo emprego de predadores (ácaros e insetos) e parasitóides (microvespas) tem aumentado consideravelmente a cada safra. Uma das vantagens do controle biológico aplicado é que muitos organismos benéficos podem ser utilizados tanto em áreas de produção orgânica, quanto em lavouras onde o emprego de defensivos é realizado convencionalmente. Neste caso, a adoção de agroquímicos compatíveis com os inimigos naturais é fundamental para o sucesso do manejo de pragas em campo. Um produto seletivo é aquele que apresenta eficiência comprovada para o manejo da praga-alvo (≥ 80% de controle), e ao mesmo tempo, não afeta a sobrevivência e capacidade reprodutiva dos agentes biológicos em campo.

“É perfeitamente possível utilizar predadores e parasitoides em áreas onde o agricultor utiliza agroquímicos, isso é o que o técnico e o produtor precisam saber para integrar pelo menos essas duas modalidades de controle”, diz o pesquisador e doutor em entomologia Paulo Rebelles Reis, da Universidade Federal de Lavras/MG e EPAMIG.

A seletividade de alguns agroquímicos permite a integração do controle químico e biológico em programas de MIP em diversas culturas. Foto: PROMIP.

Seletividade Ecológica e Fisiológica

Existem dois tipos de seletividade: a seletividade ecológica e a seletividade fisiológica. A primeira ocorre em função das diferenças de comportamento ou hábitat entre pragas, inimigos naturais e/ou polinizadores, fazendo com que o produto químico tenha impacto somente em uma determinada espécie (praga). A seletividade fisiológica, inerente ao produto, está diretamente relacionada à maior tolerância de um inimigo natural (inseto ou ácaro) ou polinizador em relação à praga, quando ambos encontram-se sob a ação de um mesmo ingrediente ativo.

Segundo Geraldo Andrade de Carvalho, doutor em fitossanidade e professor daUniversidade Federal de Lavras/MG, os estudos de seletividade fisiológica são os mais comuns em todo o mundo. “Esse tipo de seletividade ocorre devido às diferenças fisiológicas da praga em relação aos demais organismos não visados na aplicação, ocorrendo a morte das espécies-praga e preservação dos inimigos naturais. Essa seletividade pode ser alcançada pela redução de absorção do produto químico pelo tegumento ou pelo aumento na degradação da substância tóxica pelo sistema enzimático do inimigo natural”, explica Carvalho.

Unidades experimentais utilizadas em bioensaios de seletividade de agroquímicos à diferentes espécies de parasitóides em condições de laboratório.

A seletividade e a falta de informação

De acordo com Carvalho, a escassez de informação ainda dificulta o uso de produtos químicos seletivos aos organismos benéficos, principalmente em áreas de cultivos convencionais. Segundo o professor, para o sucesso de programas de manejo integrado de pragas é importante que mais pesquisadores estejam envolvidos nesta linha de estudo.

“É necessário realizar e aumentar treinamentos de agrônomos para que possam colocar em prática os fundamentos do MIP e, desta forma, contribuir para uma agricultura sustentável tanto em aspecto social como ecológico, e ao mesmo tempo ser lucrativa”, afirma Carvalho.

Na opinião de Reis, a extensão rural pode ajudar de maneira efetiva na difusão do conceito de manejo integrado de pragas e provocar uma mudança de comportamento nos produtores rurais. De acordo com o professor, no Brasil há bons exemplos de programas de controle biológico aplicado bem-sucedido, mas atualmente o conceito de seletividade é bem pouco difundido.

“Infelizmente não têm sido mais ministrados os princípios do controle químico e muito menos da seletividade de produtos de proteção de plantas, o que pode ser uma fatalidade para os novos técnicos quando enfrentam situações adversas em condições de campo, pois quando uma nova praga ou doença é introduzida, fazendo com que o controle químico seja intensificado e todo o trabalho de monitoramento e controle biológico seja perdido”, finaliza.

A integração de ferramentas de controle é o caminho para a Agricultura Moderna

A PROMIP desenvolve em seus laboratórios de serviços de pesquisas, estudos de seletividade de defensivos agrícolas e organismos geneticamente modificados (OGM) sobre agentes biológicos de controle (predadores, parasitóides e entomopatógenos – bactérias, fungos e vírus) e polinizadores (abelhas sem ferrão e outras). A empresa utiliza protocolos referenciados e padronizados internacionalmente pela IOBC (International organisation for biological and integrated control).

“A seleção de defensivos compatíveis com nossos agentes biológicos é fundamental para assegurarmos aos nossos clientes a preservação e o bom funcionamento dos inimigos naturais nas áreas de produção convencional, onde o controle de doenças e outras pragas agrícolas é realizado através do manejo de químicos ou outras estratégias de controle”, afirma Marcelo Poletti, diretor presidente da empresa.

Os estudos de seletividade são oferecidos pela PROMIP a diversos parceiros e clientes, utilizando as mesmas estruturas credenciadas junto ao Ministério da Agricultura para a execução de pesquisas e laudos oficiais de eficácia de defensivos para o controle de pragas agrícolas.

Matéria exclusiva publicada pelo Portal de Manejo Integrado de Pragas (Promip) em 11 de maio de 2016.

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