Os vírus de plantas são parasitas intercelulares obrigatórios (necessitam exclusivamente de células vivas) e diferentemente de outros patógenos não são disseminados de forma livre. Além disso, diferentemente das bactérias fitopatogênicas, não são capazes de estabelecer infecção por meio de aberturas naturais das plantas (estômatos e lenticelas). E diferentemente dos fungos fitopatogênicos, os vírus não são capazes de penetrar ativamente nas células hospedeiras. Além disso a célula vegetal possui como barreira natural a parede celular, impedido o contato do vírus com receptores de membrana celular, como ocorre nas infecções virais em célula animal.

Dessa forma, para que os vírus consigam transpor a parede celular e iniciar o processo de infecção celular ele dependerá de ferimentos nas células da epiderme (porém que a célula esteja viva) ou vetores que através do processo de alimentação são capazes de introduzir as partículas virais no interior das células hospedeiras.

Aproximadamente 50% dos vírus de plantas dependem de vetor para serem transmitidos. Porém para que um organismo seja considerado vetor é necessário apresentar algumas características como:

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Aproximadamente 50% dos vírus de plantas dependem de vetor para serem transmitidos.

1 – Capacidade de romper a parede celular e chegar no citoplasma das células dos diferentes tecidos vegetais.

2 – Alta mobilidade entre plantas.

3 – Apresentar interação biológica específica vírus-vetor.

Entre os insetos fitófagos, os afídeos (conhecidos popularmente como pulgões) se destacam como insetos-praga devido aos danos diretos causados durante o processo de alimentação, e indiretos pela secreção de uma substância açucarada (honeydew) que facilita o desenvolvimento do fungo conhecido popularmente como fumagina na superfície foliar, dificultando a atividade fotossintética das plantas. Porém, esse inseto ganha uma importância ainda maior quando associados a transmissão de vírus em plantas. Aproximadamente 200 espécies de afídeos são vetores de mais da metade dos vírus de plantas conhecidos.

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Fumagina na superfície foliar.

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Fumagina na superfície foliar.

Os afídeos adultos podem ser ápteros ou alados. Porém, são os alados de maior importância do ponto de vista epidemiológico, por poder alçar voo a longas distâncias, principalmente quando carregados por ventos fortes. O que não significa que os ápteros também não tenham um papel considerável na transmissão dos vírus.

TRANSMISSÃO DE VÍRUS POR AFÍDEOS

Os afídeos podem adquirir e transmitir os vírus em qualquer estádio de desenvolvimento fenológico da hospedeira e do seu ciclo de vida. Vale ressaltar que em regiões tropicai e subtropicais os afídeos apresentam ciclo incompleto, ou seja, sua reprodução ocorre exclusivamente por partenogênese telítoca, em que óvulos não fecundados darão origem somente a fêmeas ápteras ou aladas. Já em regiões de clima temperado esses insetos apresentam ciclo de vida completo através de reprodução sexuada e assexuada. A transmissão de vírus por afídeos pode ocorrer de modo não circulativo (não persistente e semipersistente) e circulativo (não propagativo e propagativo).

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Ciclo de vida incompleto dos afídeos característicos de regiões tropicais subtropicais. (Fonte: Leilane Karam Rodrigues)

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Ciclo de vida incompleto dos afídeos característicos de regiões tropicais subtropicais. (Fonte: Leilane Karam Rodrigues)

Não persistente (estiletar)

Nesse modo de transmissão o vírus fica retido na ponta do estilete do afídeo e é liberado com a secreção da saliva durante as picadas de prova (rápida inserção e retirada do estilete no tecido vegetal a fim de verificar o hospedeiro). Os afídeos são os únicos capazes de realizar esse tipo de transmissão que tem como característica períodos curtos de aquisição (segundos/minutos), retenção (minutos) e inoculação (segundos/minutos). Dessa forma o afídeo não precisa colonizar a planta para realizar a transmissão do vírus (FIGURA 2). A maioria dos vírus de planta são transmitidos desta maneira.

Semipersistente

Nesse modo de transmissão o vírus é retido no cibário do afídeo. Que é caracterizado por uma rápida aquisição (minutos). A retenção do vírus ocorre durante algumas horas, porém não há latência (período que o vetor não está apto a transmitir o vírus) e a transmissão pode levar de minutos/hora.

Persistente circulativo

Nesse modo de transmissão as partículas virais são adquiridas durante o processo de alimentação do afídeo no floema da hospedeira. As partículas virais são ingeridas, transportadas para células do intestino posterior e liberados na hemocele, onde serão transportadas até as glândulas salivares acessórias (ASG). Esse modo transmissão é caracterizado por tempos longos de aquisição e transmissão (horas/dias) e por um período e latência indeterminado. Vale ressaltar que na transmissão não propagativa o vírus apenas circula no interior do vetor, mas não se replica e na propagativa o vírus e capaz de se replicar no interior das células do vetor.

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Modos de transmissão de vírus por afídeos. (Fonte: Leiane Karam Rodrigues)

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Modos de transmissão de vírus por afídeos. (Fonte: Leiane Karam Rodrigues)

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CONTROLE DE AFÍDEO VETOR

Para que se possa propor a forma de manejo mais adequada para o controle das doenças transmitidas por vetor, é primordial que se faça a devida identificação do vetor, assim como do vírus. Esse fato se deve, principalmente, a especificidade de transmissão que pode variar de uma espécie de afídeo para outra na transmissão de um determinado vírus. É importante ressaltar que a maioria das espécies de vírus pode ter mais de uma espécie de afídeo como vetor. Como o turnip mosaic vírus (TuMV), que é transmitido de maneira não persistente por mais de 80 espécies afídeos.

O segundo ponto determinar é o modo de transmissão vírus-vetor. Uma vez que, o uso de inseticidas químicos se torna pouco eficiente no controle de vírus transmitido de modo não persistente, devido ao curto período entre aquisição e transmissão. Por outro lado, uso de inseticidas químicos é viável eficiente no controle de vírus transmitidos de modo persistente.

De qualquer modo para que se obtenha um manejo adequado da doença é necessário um conhecimento prévio de todos os fatores que influenciam na sua epidemiologia no campo.

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Controle químico.

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Controle químico.

Afídeos: importantes vetores de vírus

Assista ao vídeo

VÍRUS TRANSMITIDOS POR AFÍDEOS

Como dito anteriormente metade dos vírus de plantas, descritos até o momento, são transmitidos por afídeos. Alguns exemplos de espécies de vírus com seu respectivos afídeos vetores e modos de transmissão estão reportados abaixo.

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