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Você está em: Da Pesquisa à Inovação

 
 
 
Dra. Marina Ferraz de Camargo Barbosa
Pesquisadora na área de biológicos da Promip
 
 
2016-10-11
No quebra-cabeça do controle biológico, o taxonomista é peça chave
 
 

Atualmente são conhecidas cerca de 1,9 milhões de espécies animais, menos da metade das 5 milhões que estima-se existir. Existe um profissional que é diariamente desafiado a conhecer e catalogar toda esta diversidade desconhecida, um profissional que como outras milhares de espécies animais no planeta está em risco de extinção: o taxonomista!

Em matéria recente, a Folha de São Paulo enumerou como motivos que podem estar causando a escassez atual de taxonomistas o baixo poder de atração da taxonomia (considerada uma atividades “chata” por muitos estudantes) quando comparada com outras áreas mais em voga, como a genética e a evolução, além da falta de recursos para projetos que visam coletar e catalogar espécies.

No imaginário popular, o pobre taxonomista é um ser solitário, que passa dias trancado em uma sala escura, comparando e catalogando espécimes, sem nenhum contato com atividades práticas e de aplicação “real”. Para mostrar o quanto esta ideia está equivocada e como a taxonomia é uma ciência dinâmica, o melhor caminho é divulgar amplamente as contribuições de taxonomistas em cada área do conhecimento, e, neste ponto, nós que trabalhos com controle biológico somos privilegiados!

Em programas de controle biológico, o taxonomista é o responsável por identificar corretamente a praga presente na cultura para que se busque por informações sobre seus inimigos naturais, além de garantir que o predador que está sendo prospectado, introduzido ou massalmente criado é a espécie que efetivamente pode controlar a praga, e não apenas uma espécie parecida. Como muitas vezes a relação entre predador e presa ou parasitoide e hospedeiro é extremamente intima e específica, a má identificação de alguma das partes pode fadar o programa ao fracasso, causando um enorme prejuízo e/ou diminuindo a confiança dos produtores na técnica.

Muitos inimigos naturais, como é o caso dos ácaros, são difíceis de serem identificados por serem muito pequenos, exigindo preparações especiais antes de sua observação; pela existência de espécies crípticas (espécies diferentes mas que são morfologicamente idênticas) e pela ampla variação morfológica observada em um muitas espécies decorrente de fatores como clima e alimentação. Para superar estes desafios, o taxonomista estuda por anos, tornando-se capaz de dar a palavra final nos grupos em que se especializou.

Como é possível inferir do parágrafo anterior, as desafiantes atividades de identificação e descrição de novas espécies de ácaros exigem uma longa formação dos taxonomistas. Ao contrário do que ocorre com outros grupos animais, o Brasil vive, de certa maneira, uma situação confortável com relação à disponibilidade de taxonomistas especialistas em ácaros. No país temos diversos centros de pesquisa com programas de pós graduação que anualmente formam diversos profissionais. Porém, o contratempo é que a grande maioria destes pesquisadores se especializam na taxonomia de ácaros Mesostigmata, ordem na qual estão os principais grupos de ácaros predadores.

Portanto, é possível perceber que apesar de termos diversos grupos trabalhando com taxonomia de ácaros no Brasil, ainda há desafios: 1) Ampliar o conhecimento sobre a diversidade dos demais grupos de ácaros, especialmente aqueles que compreendem ácaros-praga; 2) Promover a integração entre pesquisas sobre taxonomia e biologia para que, à medida que vão sendo descritas, as novas espécies sejam também avaliadas quanto à seu potencial uso em programas de controle biológico; 3) Fortalecer a presença de taxonomistas em todos os programas de controle biológico para que a identificação das espécies envolvidas seja realizada, não apenas no início do estudo, mas periodicamente, para detectar alguma contaminação e para montar uma coleção de espécies “voucher”.

Por fim, é preciso trabalhar a importância da taxonomia desde o início da formação profissional de biólogos e agrônomos, mostrando que, ao contrário do que muitos imaginam, a taxonomia é uma ciência dinâmica e de grande importância para o desenvolvimento de outras áreas (como o citado controle biológico aqui). Além disso, mostrar que a integração entre as diferentes áreas da zoologia só contribui para o desenvolvimento da ciência como um todo, e que nenhum pesquisador, independentemente de sua área de especialidade, avança sozinho!

 

Para saber mais:

GRAGNANI, J. Biólogo especialista em classificar espécies está ameaçado de extinção. Folha de S. Paulo, São Paulo, 25 set. 2016. Disponível aqui.

1ZUCCHI, R. A. A taxonomia e o controle biológico de pragas. In: José Roberto Postali Parra; Paulo Sérgio Machado Botelho; Beatriz Spalding Corrêa-Ferreira. (Org.). Controle biológico no Brasil: parasitóides e predadores. 1 ed. São Paulo: Manole, 2002, v. 1, p. 17-27.

 
 
 
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No quebra-cabeça do controle biológico, o taxonomista é peça chave
2016-10-11

Atualmente são conhecidas cerca de 1,9 milhões de espécies animais, menos da metade das 5 milhões que estima-se existir. Existe um profissional que é diariamente desafiado a conhecer e catalogar toda esta diversidade desconhecida, um profissional que como outras milhares de espécies animais no planeta está em risco de extinção: o taxonomista!

Em matéria recente, a Folha de São Paulo enumerou como motivos que podem estar causando a escassez atual de taxonomistas o baixo poder de atração da taxonomia (considerada uma atividades “chata” por muitos estudantes) quando comparada com outras áreas mais em voga, como a genética e a evolução, além da falta de recursos para projetos que visam coletar e catalogar espécies.

No imaginário popular, o pobre taxonomista é um ser solitário, que passa dias trancado em uma sala escura, comparando e catalogando espécimes, sem nenhum contato com atividades práticas e de aplicação “real”. Para mostrar o quanto esta ideia está equivocada e como a taxonomia é uma ciência dinâmica, o melhor caminho é divulgar amplamente as contribuições de taxonomistas em cada área do conhecimento, e, neste ponto, nós que trabalhos com controle biológico somos privilegiados!

Em programas de controle biológico, o taxonomista é o responsável por identificar corretamente a praga presente na cultura para que se busque por informações sobre seus inimigos naturais, além de garantir que o predador que está sendo prospectado, introduzido ou massalmente criado é a espécie que efetivamente pode controlar a praga, e não apenas uma espécie parecida. Como muitas vezes a relação entre predador e presa ou parasitoide e hospedeiro é extremamente intima e específica, a má identificação de alguma das partes pode fadar o programa ao fracasso, causando um enorme prejuízo e/ou diminuindo a confiança dos produtores na técnica.

Muitos inimigos naturais, como é o caso dos ácaros, são difíceis de serem identificados por serem muito pequenos, exigindo preparações especiais antes de sua observação; pela existência de espécies crípticas (espécies diferentes mas que são morfologicamente idênticas) e pela ampla variação morfológica observada em um muitas espécies decorrente de fatores como clima e alimentação. Para superar estes desafios, o taxonomista estuda por anos, tornando-se capaz de dar a palavra final nos grupos em que se especializou.

Como é possível inferir do parágrafo anterior, as desafiantes atividades de identificação e descrição de novas espécies de ácaros exigem uma longa formação dos taxonomistas. Ao contrário do que ocorre com outros grupos animais, o Brasil vive, de certa maneira, uma situação confortável com relação à disponibilidade de taxonomistas especialistas em ácaros. No país temos diversos centros de pesquisa com programas de pós graduação que anualmente formam diversos profissionais. Porém, o contratempo é que a grande maioria destes pesquisadores se especializam na taxonomia de ácaros Mesostigmata, ordem na qual estão os principais grupos de ácaros predadores.

Portanto, é possível perceber que apesar de termos diversos grupos trabalhando com taxonomia de ácaros no Brasil, ainda há desafios: 1) Ampliar o conhecimento sobre a diversidade dos demais grupos de ácaros, especialmente aqueles que compreendem ácaros-praga; 2) Promover a integração entre pesquisas sobre taxonomia e biologia para que, à medida que vão sendo descritas, as novas espécies sejam também avaliadas quanto à seu potencial uso em programas de controle biológico; 3) Fortalecer a presença de taxonomistas em todos os programas de controle biológico para que a identificação das espécies envolvidas seja realizada, não apenas no início do estudo, mas periodicamente, para detectar alguma contaminação e para montar uma coleção de espécies “voucher”.

Por fim, é preciso trabalhar a importância da taxonomia desde o início da formação profissional de biólogos e agrônomos, mostrando que, ao contrário do que muitos imaginam, a taxonomia é uma ciência dinâmica e de grande importância para o desenvolvimento de outras áreas (como o citado controle biológico aqui). Além disso, mostrar que a integração entre as diferentes áreas da zoologia só contribui para o desenvolvimento da ciência como um todo, e que nenhum pesquisador, independentemente de sua área de especialidade, avança sozinho!

 

Para saber mais:

GRAGNANI, J. Biólogo especialista em classificar espécies está ameaçado de extinção. Folha de S. Paulo, São Paulo, 25 set. 2016. Disponível aqui.

1ZUCCHI, R. A. A taxonomia e o controle biológico de pragas. In: José Roberto Postali Parra; Paulo Sérgio Machado Botelho; Beatriz Spalding Corrêa-Ferreira. (Org.). Controle biológico no Brasil: parasitóides e predadores. 1 ed. São Paulo: Manole, 2002, v. 1, p. 17-27.

 
 
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